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Curso de línguas promovido pela UFOPA valoriza cultura indígena

Entrar em contato com outra cultura através do idioma é o desafio encarado por 73 pessoas que participam das aulas de línguas mundurucu e nheengatu, em curso de férias realizado desde o dia 2 de julho no Centro Indígena Maíra. O curso é uma iniciativa da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), através do Programa de Extensão Patrimônio Cultural na Amazônia e Grupo Consciência Indígena. A atividade conta ainda com o apoio das pró-reitorias da Comunidade, Cultura e Extensão (PROCCE) e de Gestão Estudantil (PROGES), do Conselho de Indígenas dos rios Tapajós e Arapiuns, da Rádio Rural de Santarém, da Associação dos Frades Menores na Amazônia e da Associação Indígena do Município de Barcelos, AM.

Nesta etapa, que vai até 31 de julho, é repassada a formação básica da gramática, pronúncia e lógica própria de cada língua. Na segunda etapa, que será realizada em janeiro de 2015, os alunos receberão uma formação mais completa e aprofundada, com a qual poderão se tornar professores destes idiomas.

Apesar de ter a língua como destaque, o curso também enfatiza outras características culturais e procura valorizar de forma geral as etnias indígenas da Amazônia. A metodologia chamou atenção de Amasa Carvalho, professora da UFOPA que pretende aprender o nheengatu para facilitar as aulas com alunos indígenas. “Percebemos muito claramente o respeito que eles tem com os animais, o sentimento de grupo através da partilha. Essa visão de mundo é tão importante aprender quanto a língua em si”, declara Amasa. O curso atraiu professores, estudantes e admiradores da cultura indígena. É o caso de Arilson Santos, de 18 anos, que sempre foi fascinado pelo modo de vida indígena e pretende entrar na universidade para ser pesquisador na área. “Essas línguas são muito bonitas e todas elas trazem uma grande história. Isso sempre me chamou a atenção”, destaca o jovem.

No Brasil, são faladas atualmente 200 línguas indígenas. O Diretor de Ações Afirmativas da UFOPA, Prof. Florêncio Vaz, explica que a escolha do nheengatu e do mundurucu para a oferta destes cursos se deve à importância histórica que os dois idiomas têm para a região. De acordo com o professor, o nheengatu era falado fluentemente em toda região de Santarém até a segunda metade do século XIX. Hoje, os 11 povos indígenas da região estão resgatando ou reaprendendo esta língua, que já é ensinada nas escolas indígenas. O mundurucu também era falado em todo o vale do rio Tapajós e ainda é usado fluentemente no médio e alto Tapajós. Também há aldeias no baixo Tapajós que estão em processo de aprendizagem da língua mundurucu.

Ao fim desta etapa do curso, no dia 31 de julho, será realizada uma cerimônia indígena de formatura com cantos em nheengatu e mundurucu, danças, confraternização com comidas e bebidas indígenas, além da entrega dos certificados aos participantes. A programação inicia às 18h no Centro Indígena Maíra.

Carlos Eduardo Joseph - Comunicação/UFOPA

17/7/2014